quinta-feira, 11 de junho de 2015

BATALHA NAVAL DO RIACHUELO


A considerada pelos historiadores militares como uma das mais importantes batalhas da Guerra do Paraguai (1864-1870) a  Batalha Naval do Riachuelo travou-se a 11 de junho de 1865 às margens do arroio Riachuelo, um afluente do rio Paraguai, na província de Corrientes, na Argentina.A bacia do rio da Prata era estratégica para as comunicações entre o Oceano Atlântico e os contrafortes orientais da Cordilheira dos Andes. O transporte de pessoas, animais e de mercadorias era feito pelos rios, uma vez que quase não havia estradas até à segunda metade do século XX. O país que controlasse a navegação de seus rios, mas principalmente a sua foz, controlaria o interior do território e a sua economia.
                            O Paraguai não tinha uma saída direta para o mar, uma vez que a bacia estava em mãos da Argentina e do Uruguai, este último em constante disputa entre os interesses da República Argentina e do Império do Brasil. Por essa razão, as fortificações mais importantes do Paraguai tinham sido erguidas nas margens do baixo curso do rio Paraguai.
                              No início do conflito, as tropas paraguaias já haviam ocupado áreas da então Província do Mato Grosso (atual Estado do Mato Grosso do Sul), no Império do Brasil, e da República da Argentina. Se vencessem a batalha do Riachuelo, poderiam navegar livremente pelo rio Paraguai, descer o rio Paraná, conquistar Montevidéu no Uruguai e, de lá, ocupar a então Província do Rio Grande do Sul. Formar-se-ia assim o Grande Paraguai, que se abriria ao comércio atlântico com as demais nações.
                              Coube ao Almirante Joaquim Marques Lisboa, Visconde de Tamandaré, depois Marquês de Tamandaré, o comando das Forças Navais do Brasil em Operações de Guerra contra o Governo do Paraguai. A Marinha do Brasil representava praticamente a totalidade do Poder Naval presente no teatro de operações. O Comando-Geral dos Exércitos Aliados era exercido pelo Presidente da República da Argentina, General Bartolomeu Mitre. As Forças Navais do Brasil não estavam subordinadas a ele, de acordo com o Tratado da Tríplice Aliança. A estratégia naval adotada pelos aliados foi o bloqueio. Os rios Paraná e Paraguai eram as artérias de comunicação com o Paraguai. As Forças Navais do Brasil foram organizadas em três Divisões - uma permaneceu no Rio da Prata e as outras duas subiram o Rio Paraná para efetivar o bloqueio.
                              Com o avanço das tropas paraguaias ao longo da margem esquerda do Paraná, na Província de Corrientes, Tamandaré resolveu designar seu Chefe do Estado-Maior o Chefe-de-Divisão (posto que correspondia a comodoro, ou almirante de uma estrela em outras Marinhas) Francisco Manuel Barroso da Silva, para comandar a força naval que estava rio acima. Barroso partiu de Montevidéu em 28 4 1 865, na Fragata Amazonas, e se juntou à força naval em Bela Vista. A primeira missão de Barroso foi um ataque à cidade de Corrientes, que estava ocupada pelos paraguaios. O desembarque ocorreu, com bom êxito, em 25 de maio. Não era possível manter a posse dessa cidade na retaguarda das tropas invasoras e foi preciso, logo depois, evacuá-la, mas o ataque deteve o avanço paraguaio para o sul, ao longo do Rio Paraná. Ficou evidente que a presença da força naval brasileira deixaria o flanco dos invasores sempre muito vulnerável. Era necessário destruí-la, e isso motivou Solano López a planejar a ação que levaria à Batalha Naval do Riachuelo.
                               A esquadra paraguaia, partindo de Humaitá na na noite de 10, devia regular a sua marcha de modo a atingir a esquadra brasileira nas primeiras horas da madrugada de 11 de junho. Cada um dos navios paraguaios devia abordar um dos navios brasileiros. Se algum destes conseguisse repelir a abordagem, teria a sua retirada cortada por uma bateria previamente assestada no barranco sobre o canal Riachuelo, duas léguas abaixo da cidade de Corrientes. Ide e trazei-me os navios brasileiros! foram as palavras de Lopes quando terminou a proclamação que dirigiu à sua esquadra no momento da partida de Humaitá. A distancia poderia ser percorrida em cinco ou seis horas, mas uma avaria no vapor Iberá não permtiu efetuar a surpresa antes do romper do dia, e só às 9 horas as duas esquadras se avistaram.

                               A Força Naval Brasileira que bloqueava o rio Paraná estava fundeada ao lado do Chaco, a 25 km ao sul de Corrientes e fronteiro a um monumento denominado A Coluna, ereto na margem esquerda do rio. Era composta de 11 navios, mas no dia da batalha contava só com 9; outros dois: as canhoneiras Itajái e Ivaí encontravam-se destacadas em ponto distante rio abaixo. A força era formada pela 2ª e 3ª Divisões da Esquadra. A frota composta de nove navios de guerra estava armada com 59 bocas de fogo, sendo tripulado por 1 113 fuzileiros navais e 1 174 soldados do Exército Imperial. Somavam um total de 2 287 homens. Seu comandante em chefe era o Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

EXPOCULTURA 2015


                                                            EXPOCULTURA 2015

              Raulo Bopp escreveu: “A princípio eram os campos da propriedade da Mãe de Deus./Depois não sei como foi./Passaram os trilhos. Mudou tudo... / Um dia... / levaram-me de trem pr‘uma outra parte / estudar taboada e geografia. / Quando voltei / a povoação tinha crescido... /Uma outra vez viajei. / Não voltei mais. / A geografia me pegou. / Virei mundo. Fui p‘ra longe. Anos passaram. / Violões e versos vibram ás vezes na memória. / Custou saudade o que eu deixei.”
Sempre lembro esse poema quando entro em Tupanciretã, talvez porque diferente de Raul Bopp, estou sempre chegando e partindo de Tupanciretã, mas com a sensação de nunca haver saído e assim deverá ser, quando na tarde de 16 de maio, acompanhado de uma plêiade de escritores dos mais variados estilos e tendências, de idades que contemplam desde a infância à plenitude dos cabelos brancos e por vezes escassos a telhar cabeças inquietas, fabris e instigadoras porque em derradeira análise essa é uma das funções da literatura.
         A caravana, liderada pelo incansável Byrata, volta em 2015 acrescida e assim esperamos que continue nos anos subsequentes e também resulte em diálogos futuros para reforçar a Feira do Livro de modo a torná-la um evento a altura da tradição literária da cidade que já viu passear por suas ruas Aureliano de Figueiredo Pinto, Zeca Blau, Raul Bopp, Victor Aquino, Propício Machado, Horácio Paz, Serafim Machado, Manoelito de Ornelas, Mário Beck e tantos outros nomes da cena cultural do estado e do país.

            No final da tarde de 16 de maio quando aportarem, nos campos que sempre serão da Mãe de Deus, Antônio Cândido Ribeiro, Athos Ronaldo Miralha da Cunha, Carlos Alberto Bellinaso,  Esther Chagas, Haydée Hostin ,Humberto Gabbi Zanatta,João Pedro Gonçalves Santos ,Lisianne Gonçalves ,Jorge Ubiratã da Silva Lopes - Byrata ,José Luiz dos Santos ,Marcelo Soriano ,Moisés Menezes ,Odemir Tex Júnior ,Orlando Fonseca ,Pedro Brum Santos, Tânia Lopes e a esses se somarem os notáveis promotores da cultura local integrantes da Associação Cultural Raul Bopp e do Centro Lítero José do Patrocínio tenho convicção que nada mais será como antes, e nós continuaremos chegando sempre em Tupanciretã como se nunca tivéssemos partido.


                                               Orlando Fonseca-Tania Lopes-Haydée Hostin-Tex Júnior-Marcelo Soriano-Vitor Biasoli
                                    Byrata-MoisésMenezes-Pedro Brum,Mauro Lafaette

segunda-feira, 27 de abril de 2015

PEREGRINAS INQUIETUDES-POSFáCIO





          Certa ocasião o poeta, Apparício da Silva Rillo, me comentou: publicamos um poema, e as pessoas ficam descobrindo coisas que a gente nem sabia que tinha dito. Na verdade, quanto mais inspirado é o poeta mais transparecem nas entrelinhas de seus textos suas verdades. É na decodificação desses sinais que se encontra o caminho de seus labirintos e os espantos de sua poesia.
          No momento mágico da criação, as ideias vão fluindo como ordenadas por uma energia superior que faz com que o poema transcenda o significado das palavras, e, só assim, se revela a obra do artista. Capaz de fazer soar as cordas de nossa alma, despertando nossos sentidos, abrindo nossos olhos, cantando em nossos ouvidos, tocando nossa pele, fazendo do nosso coração receptáculo para o subjetivo.
          Nem todos são poetas, pintores ou músicos. Nem todos fazem poesia, nem todos compõem música, nem todos pintam telas. Mas conseguem vibrar na frequência do autor, quando lêem quem escreve, escutam quem toca ou admiram uma tela de quem pinta. Pois existe uma linguagem da alma, indiferente a credos, a tempos, a nacionalidades.
          Moisés Menezes usa essa linguagem para transmitir em sua poesia, a um tempo, a sonoridade e os matizes que imprimem cadência e colorido à seus textos, e o conteúdo profundo do sentimento que identifica o homem em qualquer lugar do planeta.
          Atahualpa Yupanqui, respondendo ao jornalista que o entrevistava, disse: Yo no comento mis cosas!
          Na verdade, embora a autocrítica exerça papel fundamental na evolução do artista, não lhe cabe a avaliação de sua obra. Com certeza, Moisés Menezes não cria seus poemas, preocupado com a análise das regras e métodos por ventura utilizados. Isso, deixa para aqueles interessados em mapear os caminhos percorridos por ele em busca de respostas, em cada um de seus poemas. O que vale, quando somos impelidos a rabiscar na folha branca os hieróglifos das nossas peregrinas inquietudes, é a bagagem que guardamos na mala-de-garupa e a carga que trazemos nos pessuelos. Dessa bagagem sairão as cores, o som e as palavras que darão vida à poesia.
           É simples como o mate que oferecemos ao recém chegado. E estão presentes ali os sais da terra onde cresceu a erveira, o tinir do facão do ervateiro, a seiva purificada no carijó, a brasa, o vento, o sol e, despertados pelo calor da água, a memória vegetal do porongo que forneceu a cuia. 

          Pois em suas Peregrinas Inquietudes, Moisés Menezes nos oferece a espontaneidade de sua excelente poesia enriquecida por uma análise cuidadosa de cada um dos poemas que compõem o livro.
          Seus leitores têm assim a oportunidade de deliciar-se com aquilo que o poeta disse e, levados pela mão de estudiosos, descobrir e entender aquilo que ele nem sabia que tinha dito.  Por tudo isso, este é um desses livros que ao concluirmos sua leitura sentimos necessidade de uma reflexão. É instigante desde o primeiro poema, quando pergunta: a quem vingava Latorre feroz de faca na mão?
          Não queremos a resposta.
          São as interrogações que nos fazem andar, e chegar mais longe.

                                     Colmar Duarte


Crescente de janeiro de 2015.  

quarta-feira, 22 de abril de 2015

MIGUEL DE CERVANTES SAAVEDRA

               Romancista, dramaturgo e poeta,nasceu em  Alcalá de Henares29 de setembro de 1547 e faleceu em  Madrid a  23 de abril de1616.
      Sua obra-primaDom Quixote, citado como o primeiro romance moderno, é um clássico da literatura ocidental , considerado um dos melhores romances da literatura universal. Sua obra trabalho é considerado literariamente tão importante , e sua influência sobre a língua castelhana tem sido tão grande que o castelhano é frequentemente chamado de La lengua de Cervantes ,assim como o português seguidamente é citado como a Língua de Camões.



                Filho de um cirurgião , Rodrigo e de Leonor de Cortinas, supõe-se que Miguel de Cervantes tenha nascido em Alcalá de Henares. O dia exato do seu nascimento é desconhecido, ainda que seja provável que tenha nascido no dia 29 de setembro, data em que se celebra a festa do arcanjo San Miguel, pela tradição de receber o nome do santoral. Foi batizado em Castela no dia 9 de outubro de 1547 na paróquia de Santa María la Mayor.
              A certidão de batismo diz:
Domingo, nueve días del mes de octubre, año del Señor de mill e quinientos e quarenta e siete años, fue baptizado Miguel, hijo de Rodrigo Cervantes e su mujer doña Leonor. Baptizóle el reverendo señor Bartolomé Serrano, cura de Nuestra Señora. Testigos, Baltasar Vázquez, Sacristán, e yo, que le bapticé e firme de mi nombre. Bachiller Serrano.
           Em 1569 foge para Itália depois de um confuso incidente (feriu em duelo Antonio Sigura), tendo publicado já quatro poesias de valor. Sua participação na batalha de Lepanto, no ano 1571, onde foi ferido na mão e no peito,7 deixa-lhe inutilizada a mão esquerda que lhe vale o apelido de o manco de Lepanto.
           Em 1575, durante seu regresso de Nápoles a Castela é capturado por corsários de Argel, então parte do Império Otomano. Permanece em Argel até 1580, ano em que é liberado depois de pagar seu resgate.Viveu  em Portugal, entre a primavera de 1581 e a de 1583,na cidade de Lisboa.
O escritor tentava conquistar um lugar de favorito na corte do monarca espanhol, aproveitando os primeiros momentos do reinado português do rei que assumira as doas coroas ibéricas coma morte de D.Sebastião em Alcácer Kibir. Felipe acaba trocando as roupas negras e a gola branca isabelina pelos tecidos ricos e coloridos de Lisboa. Foi neste ambiente de fausto e deslumbramento real que Cervantes chegou à capital portuguesa, onde se terá encantado pela cidade e pelas suas damas. Tendo escrito “Para festas Milão, para amores Lusitânia”. Descreve os lisboinos como agraváveis, corteses, liberais e apaixonados, embora discretos,admirando-se com fervor pela  formosura das mulheres.
              No retorno a Castela casa-se com Catalina de Salazar em 1584, vivendo algum tempo em Esquivias, povoado de La Manchade onde era sua esposa, dedicando-se ao teatro.
              Publica em 1585 A Galatea, o seu primeiro livro de ficção, no novo estilo elegante da novela pastoral. Com a ajuda de um pequeno círculo de amigos, que incluía Luíz Gálvez de Montalvo, com o livro um público sofisticado passou a conhecer Cervantes.
               Encarcerado em 1597 depois da quebra do banco onde depositava a arrecadação, "engendra" Dom Quixote de La Mancha, segundo o prólogo a esta obra, sem que se saiba se este termo quer dizer que começou a escrevê-lo na prisão, ou simplesmente que se lhe ocorreu a ideia ou o plano geral ali.
                Finalmente, em 1605 publica a primeira parte de sua principal obra: O engenhoso fidalgo dom Quixote de La Mancha. A segunda parte não aparece até 1615: O engenhoso cavaleiro dom Quixote de La Mancha. Num ano antes aparece publicada uma falsa continuação de Alonso Fernández de Avellaneda.
               Entre as duas partes de Dom Quixote, aparecem as Novelas exemplares (1613), um conjunto de doze narrações breves, bem como Viagem de Parnaso (1614). Em 1615 publica Oito comédias e oito entremezes novos nunca antes representados, mas seu drama mais popular hoje, A Numancia, além de O trato de Argel , ficou inédito até ao final do século XVIII.
            

 Miguel de Cervantes morreu em 1616, e um ano depois de sua morte aparece a novela Os trabalhos de Persiles e Sigismunda.
                
                  Em 2011, um grupo de investigadores históricos e arqueólogos iniciaram uma busca pelos ossos do autor Miguel de Cervantes na igreja conventual das Trinitarias em Madrid, onde os seus restos mortais foram depositados em 1616, não se sabendo exatamente em que parte do monumento. A iniciativa, que permite reconstruir o rosto do escritor, até agora só conhecido através de uma pintura do artista Juan de Jauregui, conta com o apoio da Academia Espanhola e o aval do arcebispado espanhol.A igreja foi remodelada no final do século XVII, e apesar das certezas de que os restos do escritor espanhol ali se encontram, ninguém sabia o lugar exato onde estará a sua campa.
                       Em fevereiro de 2014 a Comunidade Autônoma de Madri autorizou a busca pelos restos mortais de Cervantes e de Catalina, supostamente enterrados no subsolo do Convento de las Trinitarias Descalzas, com o uso de radar. Em março de 2015 o time multidisciplinar liderado por Francisco Etxeberría confirmou o descobrimento dos restos mortais de Cervantes, identificados pelas iniciais "M.C." em seu caixão. Apesar de uma análise de DNA para confirmar se os restos são de Cervantes não ser possível (devido ao fato de que não são muitos os descendentes vivos do dramaturgo para realizar uma comparação do DNA), o time responsável pela descoberta usou outras informações, como as iniciais no caixão e o fato de que Cervantes pediu para ser enterrado ali, para chegar a conclusão; "São muitas as coincidências e não há discrepâncias. Todos os membros da equipe estão convencidos de que temos entre os fragmentos algo de Cervantes, embora não possamos dizer em termos de certeza absoluta", afirmou Etxeberría.
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quinta-feira, 16 de abril de 2015

XANTIPA E SÓCRATES


                                                Xantipa,Sócrates e os filhos

Xãntipe significa "cavalo loiro", do grego ξανθός "xanthos" (loiro) e ιππος "hippos" (cavalo). Ela é uma das muitas personalidades gregas com um nome relativo a cavalo (cf. Philippos: "amante de cavalo"; Hippocrates: "domador de cavalo" etc). O "hippos" em grego antigo refere-se a um nome de origem aristocrática.Xantipa era a mulher de Sócrates e possivelmente mãe dos três filhos, Lamprocles, Sophroniscus e Menexenus.
              Segundo  Aristóteles citado por Diogenes Laércio, Sophroniscus e Menexenus eram filhos da segunda esposa de Sócrates, Myrto, filha de Aristides, o Justo. Conforme alguns autores,há  mais estórias sobre ela do que realmente fatos verdadeiros.
                Sócrates teve duas esposas; segundo Aristóteles, citado por Diógenes Laércio, a primeira foi Xântipe e a segunda Myrto, filha de Aristides, o Justo. Sátiro e Jerônimo de Rodes, também citados por Diógenes Laércio, dizem que, pela falta de homens em Atenas, foi permitido a um ateniense casado ter filhos com outra mulher, e que Sócrates teria tido Xântipe e Myrto ao mesmo tempo.
                          Platão a descreve como sendo não mais que uma mulher devotada e mãe de família.Xenofonte, em Memorabilia, a retrata da mesma forma, embora demonstre que Lamprocles reclamasse de um temperamento muito forte que talvez se deva  ao foto de  que o mesmo era um adolescente.
                             Apenas em Xenófanes, no Symposium, que vemos Sócrates concordar que ela é "a pessoa mais difícil de se relacionar de todas as mulheres que existem" . No entanto, Sócrates acrescenta que ela a escolheu por causa do seu espírito argumentativo.
             "Mas acostumei-me a ela", dizia Sócrates,"como se acostuma ao rangido de uma velha bica. Você não liga para o grasnar dos gansos."
                Sócrates dizia que vivia com uma mulher desse temperamento da mesma forma que os cavaleiros gostam de cavalos fogosos e "do mesmo jeito que, quando conseguem domá-los, podem facilmente dominar o resto, também eu, na companhia de Xantipa, hei de aprender a adaptar-me ao resto da humanidade." (Diógenes Laércio)
            Sócrates certa vez teria dito:
             "De qualquer modo, case-se. Se você tiver uma boa mulher, será feliz. Se tiver uma mulher como a minha, será filósofo..."

                 Certa vez, ao voltar para casa, um pouco mais tarde do que de hábito, conta-se que, ainda distante, sua mulher, da janela, dizia-lhe desaforos e fazia reclamações, até que, ao passar o filósofo sob a janela, Xantipa atirou-lhe um jarro de água, ao que Sócrates pacientemente respondera: “Bem, é assim mesmo, depois da trovoada vem a chuva.
               Disse Sócrates (cujo sogro o advertira) que a escolhera porque se convivesse com ela poderia tolerar e entender qualquer pessoa no mundo.
                Escrevo isso porque penso que muitos conhecidos meus ainda vão nos surpreender com seus tratados filosóficos e também para recomendar o livro –Sócrates e Xantipa-Um crime em Atenas,do Gerald Messadié, uma ótima leitura .e se encontra na internet com preço acessível.


segunda-feira, 13 de abril de 2015

GÜNTER GRASS




                                        Gunter Grass-Nadine Gordimer - Salman Rushdie      
                                

                         Günter Wilhelm Grass (Danzig16 de outubro de 1927 - Lübeck13 de abril de 2015) foi um autorromancistadramaturgopoetaintelectual, e artista plástico alemão.1 2 Sua obra alternou a atividade literária com a escultura, enquanto participava de forma ativa da vida pública de seu país. Recebeu o Nobel de Literatura de 1999. Também é reconhecido como um dos principais representantes do teatro do absurdo da Alemanha. Seu nome é por vezes grafado Günter Graß.
                               Estudou em Danzig (hoje GdańskPolónia) e, aos dezessete anos, foi convocado a servir nas forças armadas daAlemanha nazista na Waffen-SS. Ferido na guerra de 1945, foi preso em Marienbad, então Checoslováquia, e libertado no ano seguinte. Trabalhou em minas e fazendas e como aprendiz de pedreiro e estudou desenho e escultura na Academia de Arte de Düsseldorf no final da década e frequentou a Academia de Artes de Berlim de 1953 a 1955.
                             Embora escrevesse poemas, lidos para um grupo de escritores influentes, o Grupo 47, foi apenas depois de mudar para Paris, em 1956 que passou a se dedicar à literatura e publicou seu primeiro êxito como escritor, o romance de crítica social "Die Blechtrommel" (O tambor, 1956). Seguiram-se "Katz und Maus" (1961) e "Hundejahre" (1963). Também escreveu poesias e peças de teatro, como em "Noch zehn Minuten bis Buffalo" (1957) e "Die Plebejer proben den Aufstand" (1965). De ideais políticos de esquerda, participou de forma ativa da vida pública de seu país e provocou polêmica em torno de sua produção, renovou a literatura alemã do pós-guerra por meio de textos de ironia e do grotesco, especialmente satirizando a complacente atmosfera do milagre econômico da reconstrução pós-nazista. Entre essas obras de produção mais recente está "Unkenrufe" (1992), traduzido no Brasil como Maus Presságios.
                         Com uma obra que contesta, desde o início, as ideias nazistas que o atraíram na juventude, hoje é considerado o porta-voz literário da geração alemã que cresceu durante o nazismo, e descreve a si mesmo como um Spätaufklärer, um devoto da iluminação em uma era cansada da razão. Ainda destacam-se as novelas "Der Butt" (1977), "Das Treffen in Telgte" (1979) e "Die Rättin" (1986).

                               Recentemente o mundo se chocou com a declaração de Grass, no seu novo livro "Descascando a cebola", de caráter autobiográfico, de sua participação como membro das Waffen-SS (tropa de elite do exército do Reich). Esta revelação fez muitos escritores e jornalistas posicionarem-se a respeito. Alguns desses posicionamentos foram publicados no jornal "O Estado de S. Paulo", no dia 27 de agosto de 2006. Os argumentos dividiram-se basicamente em dois, de um lado estavam os que declaravam que isso não invalidava o valor de seus romances, e que é preciso separar o escritor de sua obra, além de considerarem a pouquíssima idade de Grass quando atuou na Waffen-SS. Do outro, questionaram a demora de Grass em revelar esta participação.
                                   O escritor português José Saramago declarou: "Nunca separei o escritor da pessoa que o escritor é. A responsabilidade de um é a responsabilidade de outro". Já o editor brasileiro Luiz Schwarcz comentou: "Não se pode confundir obra e autor." John Berger, escritor, em um texto originalmente publicado pelo jornal The Guardian, questiona o julgamento a Günter Grass: "A ética determina escolhas e ações e sugere prioridades difíceis. Nada tem a ver com o julgamento das ações dos outros. Tais julgamentos são prerrogativa dos moralistas. Na ética existe humildade; os moralistas acham que estão certos." Em uma entrevista concedida a Der Spiegel, Grass comenta a repercussão que sua atuação na tropa nazista teve e explica-se diante de alguns questionamentos.
                                       Ao ser indagado quanto a demora para a revelação, o escritor alemão declarou: "Acreditava que minha obra como escritor e cidadão era suficiente.", e acrescenta que sempre sentiu vontade de escrever sobre suas experiências, mas num contexto adequado.
                                        O entrevistador da revista Der Spiegel, Ulrich Wickert faz ainda uma relação com um trecho do livro autobiográfico Descascando a Cebola e o romanceO Tambor, buscando no romance um sentimento já revelador desta culpa de atos passados e sua justificação pela pouca idade: "No instante em que invoco o garoto de treze anos que eu era na época, em que o tomo como incumbência, e me sinto tentado a julgá-lo, ele me escapa. Ele não quer ser avaliado ou julgado. Foge para o colo da mãe e diz: 'Eu era apenas um garoto, apenas um garoto.'." (Descascando a Cebola).
                         "Não sou responsável pelas coisas que fiz quando criança." (Personagem Oskar em O Tambor).
                                 Em um outro romance ainda podemos verificar o aparecimento de um possível traço autobiográfico e sua relação com este sentimento de culpa, trata-se de Maus presságios. É revelado sobre os protagonistas Alexandre e Alexandra: "Não era necessário remexer no passado, porque as poucas aventuras à margem traziam lembranças inexatas ou mal ordenadas. E o fato de que ele, aos quatorze anos e meio, tivesse sido soldado e ela, aos dezessete, membro entusiasta da organização das juventudes comunistas era perdoado aos dois, mutuamente, como defeitos congênitos de sua geração; não era preciso descer a nenhum abismo; até porque ele, nos momentos em que duvidava de si próprio, dizia que tinha de lutar continuamente contra o jovem hitlerista que tinha dentro de si…"


EDUARDO GALEANO




                        Eduardo Hughes Galeano (Montevidéu3 de setembro de 1940 - Montevidéu, 13 de Abril de 2015) foi um jornalista e escritor uruguaio.1 É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinandoficção, jornalismo, análise política e História.
                          Nasceu em 3 de setembro de 1940 em Montevidéu em uma família católica de classe média de ascendência europeia. Na infância, Galeano tinha o sonho de se tornar um jogador de futebol; esse desejo é retratado em algumas de suas obras, como O futebol de sol a sombra (1995). Na adolescência, Galeano trabalhou em empregos nada usuais, como pintor de letreiros, mensageiro, datilógrafo e caixa de banco. Aos 14, vendeu sua primeira charge política para o jornal El Sol, do Partido Socialista.
                         Iniciou sua carreira jornalística no início da década de 1960 como editor do Marcha, influente jornal semanal que tinha como colaboradores Mario Vargas Llosa e Mario Benedetti. Foi também editor do diário Época e editor-chefe do jornal universitário por dois anos. Em 1971 escreveu sua obra-prima As Veias Abertas da América Latina.
                          Em 1973, com o golpe militar do Uruguai, Galeano é preso e mais tarde forçado a se exilar na Argentina, onde lançou Crisis, uma revista sobre cultura. Em 1976, com o sangrento golpe militar liderado pelo general Jorge Videla, tem seu nome colocado na lista dos esquadrões de morte e, temendo por sua vida, exila-se na Espanha, onde deu início à trilogia Memória do Fogo. Em 1985, com a redemocratização de seu país, Galeano retornou a Montevidéu, onde vive ate hoje.
                              A obra mais conhecida de Galeano é, sem dúvida, As Veias Abertas da América Latina. Nela, analisa a História da América Latina como um todo desde o período colonial até a contemporaneidade, argumentando contra o que considera como exploração econômica e política do povo latino-americano primeiro pela Europa e depois pelos Estados Unidos. O livro tornou-se um clássico entre os membros da esquerda latino-americana. Em Brasília, após mais de 40 anos do lançamento do seu mais famosa obra, durante a 2ª Bienal do Livro e da Leitura, Eduardo Galeano admitiu ter mudado de ideia sobre o que escrevera. Disse ele: "'Veias Abertas' pretendia ser um livro de economia política, mas eu não tinha o treinamento e o preparo necessário". Ele acrescentou que "eu não seria capaz de reler esse livro; cairia dormindo. Para mim, essa prosa da esquerda tradicional é extremamente árida, e meu físico já não a tolera.".
                      Memória do Fogo é uma trilogia da História das Américas. Os personagens são figuras históricas: generais, artistas, revolucionários, operários, conquistadores e conquistados, que são retratados em pequenos episódios que refletem o período colonial do continente. Começa com os mitos dos povos pré-colombianos e termina no início da década de 1980. Na obra, Galeano destaca não apenas a opressão colonial, mas também atos individuais e coletivos de resistência. A obra foi aclamada pela crítica literária e Galeano foi comparado a John Dos Passos e Gabriel García Márquez. Ronald Wright, do suplemento literário do The Times, escreveu que "os grandes escritores dissolveram gêneros antigos e encontraram novos. Esta trilogia de um dos mais ousados e talentosos da América Latina é impossível de classificar".
                     O Livro dos Abraços é uma coleção de histórias curtas e muitas vezes líricas, apresentando as visões de Galeano em relação a temas diversos como emoções, arte, política e valores. A obra também oferece uma crítica mordaz à sociedade capitalista moderna, com o autor defendendo aquilo que acredita ser uma mentalidade ideal à sociedade. Para Jay Parini, do suplemento literário do The New York Times, é talvez a obra mais ousada do autor.
                            Como ávido fã de futebol, Galeano escreveu O futebol ao sol e à sombra, que revisa a trajetória histórica do jogo. O autor o compara com uma performance teatral e com a guerra; critica sua aliança profana com corporações globais ao mesmo tempo em que ataca intelectuais de esquerda que rejeitam o jogo e seu apelo às massas por motivos ideológicos.
                             Em seu livro mais recente, Espelhos, o autor tem o intuito de recontar episódios que a história oficial camuflou. Galeano se define como um escritor que remexe no lixão da história mundial.
                    Apesar da clara inspiração e relevância histórica de suas obras, Galeano nega o caráter meramente histórico destas, comentando que é "um autor obcecado com a lembrança, com a lembrança do passado da América e, sobretudo, da América Latina, uma terra intimamente condenada à amnésia".

                           Uma das citações mais memoráveis de Galeano é "as pessoas estavam na cadeia para que os presos pudessem ser livres", se referindo ao regime militar (1973-1985) de seu país.

sábado, 11 de abril de 2015

PEREGRINAS INQUIETUDES-O PREFÁCIO


                                                                  
                                               PREFÁCIO


                   Antes de abordar este livro de Moisés Menezes, propria­mente dito, cumpre-me externar três observações. As quais, aliás, são fundadas em opiniões muito pessoais, mas que alcançam a opinião comum de muitos outros nessa diversidade imensa que é o país em que vivemos. Diversidade que, por vezes, leva-nos a imaginar que qualquer equívoco cultural esteja enraizado em nós mesmos. Não nos outros. Uma dessas observações, por exemplo, diz respeito à cultura que nos identifica e nos caracteriza como um agregado humano específico. Outra que se refere a determi­nados gostos que definem nossas predileções por arte, literatura, cinema, música, teatro e assim por diante. Outra, ainda, relacio­nada ao modo como lidamos com tudo isso.
                       Os elementos que definem nossa identidade cultural pas­sam, necessariamente, por insondáveis conteúdos por vezes quase indecifráveis para a maioria da população. Pois, afinal, um país com estas dimensões, recheado de costumes diferentes, formado em múltiplas circunstâncias históricas, dificilmente pode ensejar uma compreensão linear de tudo que se acumulou ao longo do tempo. Afora esse problema, um outro, relacionado com a tão co­nhecida desigualdade social. Pois, foi nessa desigualdade que se formou uma elite, que considera não apenas a condição social dos diferentes estamentos, mas também aquilo a que poderíamos de­nominar de “gosto pelas coisas”.
Um abismo imenso se formou a partir do gosto, que colo­ca uns em determinada alçada, outros em outra. Isto é, objetos de gosto de uns, muitas vezes é objeto de “não gosto” de outros. Uma situação que revela, seja no mundo inteligente das academias e dos salões frequentados com glamour e sofisticação, seja no mun­do comum das pessoas que não se preocupam com aquilo a que se denominaria “protocolo estético”, desnível de incontornável re­paração. Não é fácil lidar com esta questão. Porque o que alguns
apreciam, outros não. Mas o fato dessa diferença de gosto interpõe uma abjurada condição de mais desigualdade.
                     Talvez poucos conheçam o nome do biógrafo de Emílio de Menezes, Campos Sales e José de Alencar, o saudoso escritor Rai­mundo Álvaro de Menezes, antigo presidente da União Brasileira de Escritores. Em minha juventude eu passei alguns anos datilo­grafando (que era como se falava, então) originais de algumas de suas mais importantes obras. No momento em que ele organizava o grande Dicionário Literário Brasileiro, depois de determinar o formato dos verbetes, passou-me centenas de folhas com nomes de autores importantes e conhecidos, recomendando que o trata­mento para todos deveria ser igual, variando apenas a ordem de entrada de cada um segundo a ordem alfabética dos respectivos nomes.
                        Com o passar do tempo, a obra engrossando e os nomes sendo acrescentados na medida em que eram localizadas obras nem tão conhecidas, entregou-me quase um milhar daqueles que viriam a se converter em pequenos, quase minúsculos verbetes. Quando levei de volta a série acabada desses novos autores, depois de ler todos os textos, apanhou uma caneta esferográfica vermelha e suprimiu de algumas dezenas de verbetes a palavrinha que eu acrescentara à definição biográfica de cada um. Inúmeros desses autores eram poetas com obras publicadas pelo interior, princi­palmente, de Goiás a São Paulo, de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, de Mato Grosso ao Amazonas. Virou-se para mim e disse: “são todos poetas, não existe poeta regional, que é uma inven­ção da crítica; pois poesia é uma só, gênero literário de qualquer grandeza, que consagra o autor pela obra e não pelo lugar de onde vem, ou de onde fala”.
               Aprendi a lição para a vida.
               A apresentação desta obra de Moisés Menezes, como não seria de supor diferente, envolve as relações entre aquilo que uma crítica constituída já deliberou inserir nas estantes principais da literatura, como aquela outra obra, por vezes despretensiosa, mas
que contém em si uma importância inesperada. Seja pelos ecos que ressoarão no futuro uma lírica de resgate de nossos mais sa­grados valores, seja pela evocação presente de feitos no passado, dos quais não poderemos nos apartar. Pois, afinal, somos o que somos, porque viemos de onde viemos. Nada nem ninguém pode modificar essa circunstância, que é histórica e cultural.
                         Moisés Menezes é autor de obra vasta. Pode-se mesmo di­zer que ele é, antes de tudo, um intelectual, um recuperador e um artista. Intelectual que reflete e faz refletir sobre a origem de todos nós. Uma origem que só será valorizada no contexto de outras culturas, na medida em que saibamos inseri-la no acervo da Civi­lização. Para tanto, dependemos da capacidade criativa de intelec­tuais como ele. Razão pela qual, como autor ele é um recuperador. Recupera por meio da literatura que cria a cenas e o cenário por onde transitaram os atores dessa representação da qual resulta­mos.
                      Nesse itinerário criativo ele se revela artista, pois reconstrói a partir de sua literatura lírica a inefável poesia dos descampados, das pradarias, dos fogos de chão, das trovas e, principalmente, dos sonhares que a idade acaba arrebatando e no lugar deposita o sen­timento de uma “gauchidade” que existe, ou existiu, à mercê de um tempo transformado.
Brindo ao poeta Moisés Menezes com uma de suas pró­prias estrofes: “O tempo o vai / esculpindo / sem olvidar velhas crenças / e um guerreiro libertário / vai-se forjando ‘al despacio’ / no contraponto dos dias”.


                                            Victor Aquino *




* Gaúcho de Tupanciretã. Doutor em ciências. Professor titular da Escola de Comuni­cações e Artes da Universidade de São Paulo, da qual foi diretor entre 1997 e 2001. Pre­sidente da ABECOM (Associação Brasileira de Escolas de Comunicação) entre 1999 e 2002. Fundador e primeiro presidente da FUNDAC (Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação) e i-DN (Instituto Dona Neta) mantenedor do Instituto da Moda e INMOD France. Autor de 84 obras, a maioria disponível para leitura em www.victoraquino.com.