sábado, 21 de junho de 2014

ROSE MARIE MURARO

                                                                               



                              (Rio de Janeiro11 de novembro de 1930 - Rio de Janeiro21 de junho de 2014) foi uma intelectual e feminista brasileira. Nasceu praticamente cega, sua personalidade singular deu-lhe força e determinação suficientes para tornar-se uma das mais brilhantes intelectuais de nosso tempo.
                            Estudou Física, foi escritora e editora. Publicou livros polêmicos, contestadores e inovadores dos valores sociais modernos. Nos anos 70, foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Nos anos 80, quando a Igreja adotou uma postura mais conservadora, passou a ser perseguida pelos ideais. A atuação intensa no mercado editorial é fruto de uma mente libertária cuja visão atenta da sociedade pode ser comparada a de muito poucos intelectuais da atualidade.
                    As idéias refletem-se na vida pessoal desta mulher notável; há pouco tempo, Rose Marie Muraro desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez. "Sei hoje que sou uma mulher muito bonita."
                       Oriunda duma das mais ricas famílias do Brasil nos anos 1930/40, aos 15 anos, com a morte repentina do pai e consequentes lutas pela herança, rejeitou sua origem e dedicou o resto da vida à construção de um novo mundo: mais justo, mais livre. Nesse mesmo ano conheceu o então padre Helder Câmara e se tornou membro de sua equipe. Os movimentos sociais criados por ele nos anos 40 tomaram o Brasil inteiro na década seguinte. Nos anos 60, o golpe militar teve como alvo não só os comunistas, mas também os cristãos de esquerda.
                         A Editora Vozes foi um capítulo à parte na vida de Rose. Lá, trabalhou com Leonardo Boff durante 17 anos e das mãos de ambos nasceram os dois movimentos sociais mais importantes do Brasil, no século XX: o movimento de emancipação das mulheres e a teologia da libertação - até hoje, base da luta dos oprimidos. Nos anos 80, presenciou a virada conservadora da Igreja. E em 1986, Rose e Boff foram expulsos da Vozes, por ordem do Vaticano. Motivo: a defesa da teologia da libertação, no caso de Boff e a publicação, por Rose, do livro Por uma erótica cristã.
                         Rose Marie Muraro foi eleita, por nove vezes, A Mulher do Ano. Em 1990 e 1999, recebeu, da revista Desfile, o título de Mulher do Século. E da União Brasileira de Escritores, o de Intelectual do Ano, em 1994. O trabalho de Rose, como editora, foi um marco na história da resistência ao regime militar. Devido a este trabalho, recebeu, do Senado Federal, o Prêmio Teotônio Vilela, em comemoração aos 20 anos da anistia no Brasil.
                    Foi palestrante nas universidades de Harvard e Cornell, entre tantas outras instituições de ensino americanas, num total de 40. Editou até o ano 2000 o selo Rosa dos Tempos, da Editora Record.
                    Foi cidadã honorária de Brasília (2001) e de São Paulo (2004). Ganhou o Prêmio Bertha Lutz (2008), e principalmente, pela Lei 11.261 de 30/12/2005 passada pelo Congresso Nacional foi nomeada Patrona do Feminismo Brasileiro.
A OBRA:
·         EDUCANDO MENINOS E MENINAS PARA UM MUNDO NOVO (2007)
·         HISTORIA DO MASCULINO E DO FEMININO (2007)
·         UMA NOVA VISAO DA POLITICA E DA ECONOMIA (2007)
·         HISTORIA DO MEIO AMBIENTE (2007)
·         PARA ONDE VAO OS JOVENS (2007)
·         A MULHER NA CONSTRUÇAO DO FUTURO (2007)
·         O QUE AS MULHERES NAO DIZEM AOS HOMENS (2006)
·         DIALOGO PARA O FUTURO (2006)
·         MAIS LUCRO (2006)
·         ESPIRITO DE DEUS PAIROU SOBRE AS AGUAS (2004)
·         POR QUE NADA SATISFAZ AS MULHERES E OS HOMENS NAO (2003)
·         UM MUNDO NOVO EM GESTAÇÃO (2003)
·         AMOR DE A A Z (2003)
·         A PAIXAO PELO IMPOSSIVEL (2003)
·         FEMININO E MASCULINO (2002)
·         AS MAIS BELAS ORAÇOES DE TODOS OS TEMPOS (2001)
·         TEXTOS DA FOGUEIRA (2000)
·         A ALQUIMIA DA JUVENTUDE (1999)
·         MEMORIAS DE UMA MULHER IMPOSSIVEL (1999)
·         AS MAIS BELAS PALAVRAS DE AMOR (1996)
·         SEXUALIDADE DA MULHER BRASILEIRA (1996)
·         SEIS MESES EM QUE FUI HOMEM (1993)
·         A MULHER NO TERCEIRO MILENIO (1993)
·         POEMAS PARA ENCONTRAR DEUS (1990)
·         (Fonte-Wilkipedia)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

MARAGATO







                   Denominação dada ao revolucionário ou partidário da revolução rio-grandense de 1893, adepto do credo político pregado por Gaspar da Silveira Martins e adversário do partido então dominante, chefiado por Júlio Prates de Castilhos. Revolucionário ou partidário da revolução rio-grandense de 1923, adepto do partido liderado por Joaquim Francisco de Assis Brasil e contrário a Antônio Augusto Borges de Medeiros, governador do Estado.
                     Na província de León, Espanha, existe uma comarca denominada Maragateria, cujos habitantes têm o nome de maragatos, e, que, segundo alguns, é um povo com hábitos de andarilhar de um ponto a outro, com cargueiros, vendendo e comprando, foram os primeiros correios da Espanha e hábeis na arte de selaria e correaria.Seriam oriundos da cidade de Maraghat às margens do Nilo e fizeram parte da Cavalaria de Tarique na conquista Árabe.
                     Aos naturais da cidade de São José, no Estado Oriental do Uruguai, dão neste país o nome de maragatos, talvez porque os seus primeiros habitantes fossem descendentes de maragatos espanhóis. Pelo fato de os rebeldes em suas excursões irem levantando e conduzindo todos os animais que encontravam, tendo apenas bagagens ligeiras, cargueiros, etc. Como os da Maragateria e porque (com exceções) suspendiam com o que encontravam em suas correrias, aplicou-se lhes aquela denominação, que aliás eles retribuíram com outras não menos delicadas aos republicanos, a despeito da correção em geral observada por estes em toda a luta." (Romaguera).
                   "Ainda hoje (l897), que 11 séculos são decorridos, os maragatos constituem um nódulo distinto no meio da população lionesa. São ainda os bérberes antigos: usam a cabeça raspada, com uma mecha de cabelo na parte posterior; falam uma linguagem que não é bem castelhana, a qual apresenta uma pronúncia arrastada, dura e lenta, e são geralmente arredios." (Oliveira Martins, apud Vocabulário Sul-rio-grandense, P.A., Globo, 1964, p. 289).
                  "Trouxera consigo, além do irmão Aparício, um grupo de maragatos do Departamento de S. José, nome por que eram conhecidos os imigrantes de certa região da Espanha, e, que, pelo prestígio do chefe, se estendeu a todos os rebeldes da Revolução Federalista e até, posteriormente, a qualquer adversário da situação castilhista do Rio Grande." (Arthur Ferreira Filho, Revoluções e Caudilhos, 2a ed., Passo Fundo, p. 34).
             "J. F. de Assis Brasil, o velho líder político maragato, lança "A Atitude do Partido Democrático Nacional na Crise da Sucesso Presidencial do Brasil", um trabalho que merece ser lido e meditado" (Pedro Leite Villas-Bôas, Um Quarto de Século de Literatura Rio-Grandense - 1929-1954", in Revista da Academia Rio-Grandense de Letras, n9 I, P.A., 1980, p. 125).
"Velho tropeiro Vicente,
que amas tuas origens...
fibra de velhas raizes,
em solo duro e ingrato.
Teimoso remanescente
duma raça em extinção...
És caudilho maragato
sem armas nem munição,
peleando valentemente
na defesa deste chão!"
(Cardo Bravo, Rebeldia, poema).



RAÍZES BEDUÍNAS PARA O CANTO GAÚCHO
Moisés Silveira de Menezes

Livre, surgiu no deserto
tripartido por amor
à tenda, à lança, ao cavalo.
Nômade, migrou no rumo
que lhe apontava a inquietude
na sina eterna de andar.
Inconforme o sangue bérbere
o faz aportar na Europa
pra fazer história e Pátria
ao comando de Tarique.

Maraghat, margem esquerda
do grande rio solitário
berço dos avoengos
os que de lança e guitarra
traziam desertos no olhar
sob tormentos de cascos.
Os estandartes do Islã
conquistam o Velho Mundo
fazendo casa e quintal
nos altíplanos da Ibéria.

Por quase oitocentos anos
beduínos ensinamentos
modificaram a paisagem,
artes, costumes, crenças.
Surge a Espanha sarracena,
fulguram raios de Allambra, 
lendas, miragens, visões,
lindas moiras encantadas
cantam os cantos dolentes
dos poetas de Sevilha.

No silêncio das montanhas,
fixada a alma errante,
vai dar vazão aos encantos
das velhas canções mouriscas
na plagência das guitarras.
O tempo o vai esculpindo
sem olvidar velhas crenças
e um guerreiro libertário
vai-se forjando “al despacio”
no contraponto dos dias.

Por instinto e disnatia
cruzou as distintas raças
que foi montando a lo largo.
Mais tarde, Mendonza trouxe
pra pampa sul-ameríndia,
da cruza moura-andaluz,
os potros que alaram homens
que honraram a cor do lenço
e amaram belas mulheres
no intermédio das guerras.

Entre Astorga y El Teleno
Leão, província espanhola
se aquerenciaram aos poucos.
Bombachas largas, vistosas,
jalecos, faixas bordadas,
botas altas e sombreros,
chasqueiros por profissão.
Arrieiros vagos, no entanto
migram por campos e mares
rumo ao sul americano.

Uruguay – la pátria nueva
del señor de lo desierto.
Alli, el gaúcho maragato
aparició en San José,
fita roja en el sombrero
con divisas de muy lejos
“por mi pátria”, “por mi amor”,
“Todo por la libertad”
debajo de un cielo azul
con los sueños por delante.

Argentina, pampa larga,
Também recebe “el moruno”,
cavalgando a “la jineta”
um flete, olhos de águia
força de ventos e rios.
La tierra Sul ameríndia
templó aun más su carácter
payador y guitarrero
fuerza y aliento de gigante
corazon y alma de ñandubay.

93, clarinadas
cavalarias em carga
espadas em mãos de ferro
lendárias “divisas rojas”
nas hostes de Gumercindo
invadem a pampa gaúcha
de à cavalo entram na história
viram lendas, causos, mitos,
la gente noble y valiente
rio grandense e maragata.

Nos tempos claros de paz
andejos cruzam os campos
dois idiomas para ‘el gaúcho’
três bandeiras, um só canto.
Habitam cifras, milongas
no bojo das andaluzas
que sonorizam a pampa
como a quebrar o encanto
da moura da Salamanca
que se escondeu no Jarau.
               Na época da revolução, os republicanos legalistas usavam esta apelação como pejorativa, atribuindo-lhes propósitos mercenários. A realidade oferecia alguma base para essa assertiva — o caudilho estrategista brasileiro Gumercindo Saraiva, um dos líderes da revolução, havia entrado no Rio Grande do Sul vindo do Uruguai pela fronteira de Aceguá (Uruguai), no Departamento de Cerro Largo, comandando uma tropa de 400 homens entre os quais estavam uruguaios descendentes de antigos maragatos com seus tradicionais lenços e fitas vermelhas. A família de Gumercindo, embora de origem portuguesa, possuía campos em Cerro Largo.
                   No entanto, dar esse apelido aos revolucionários foi um tiro que saiu pela culatra. A denominação granjeou simpatia. Os próprios rebeldes passaram a se denominar "maragatos", e chegaram a criar um jornal que levava esse nome, em 1896.
                     Aos poucos este termo foi sendo usado para designar todos os revolucionários que usavam como símbolo o lenço vermelho ao pescoço. Os guerrilheiros que lutaram a favor do governo usavam o lenço branco (mais raramente o verde) e usavam às vezes uma farda azul com gorro da mesma cor encimado por uma borla vermelha. Por isso, foram chamados de Pica-paus.

               Muitos historiadores afirmam que a conquista da Ibéria, politicamente foi árabe, mas militarmente foi berbere e isso deve a célebre cavalaria berbere comandada por Tariq Ibn Ziyad:

             " Oh meus guerreiros, para onde vocês poderão fugir? Atrás de vocês é o mar, diante de vós, o inimigo. Vocês deixaram agora só a esperança da vossa coragem e constância. Lembrem-se que neste país vocês são mais infelizes do que o órfão sentado à mesa do senhor avarento. Seu inimigo estão diante de vocês, protegido por um inumerável exército, ele tem homens em abundância, mas vocês, como única ajuda, tem suas próprias espadas e, com elas uma única chance para a vida, a qual devem arrebatar das mãos de vossos inimigos. Se vocês atrasarem para aproveitar o sucesso imediato, a boa sorte irá desaparecer, e seus inimigos, a quem suas presenças encheu de medo, terão coragem. Coloque longe de vocês a desgraça da qual se fugir em sonhos, e atacar este monarca que deixou sua cidade muito bem fortificada. Aqui está uma excelente oportunidade para derrotá-lo, se vocês concordarem em expor-se livremente à morte. Não acreditem que eu desejo incitar vocês a enfrentar perigos que eu me recuse a compartilhar com vocês. Durante o ataque eu mesmo estarei em primeiro plano, onde a chance de vida é sempre menos. " (Tariq Ibn Ziyad em discurso a sua celebre cavalaria berbere depois de desembarcar na Ibéria e queimar os navios).


sexta-feira, 28 de março de 2014

700 ANOS DA MORTE DO GRÃO MESTRE JACQUES DE MOLAY

               

            Em 18 de março de 2014, completou-se

700 anos da morte na fogueira, na porta da Catedral de Notre Dame, França, do “último” Grão Mestre Jacques De Molay e de vários outros Cavaleiros da Ordem Templária, todos inocentes das inconsistentes acusações.  
                     Muitos Templários continuam aguardando o reconhecimento do erro cometido. Não basta o “descobrimento” e revelação do documento de Chinon (*) que veio trazer à luz a injustiça cometida contra a Ordem do Templo, é preciso mais, é necessário o pedido público de perdão.
                    Em 1307 DC, Filipe “o belo”, um rei maquiavélico, cruel, sanguinário, ganancioso e covarde buscava acertar as finanças da falida França, para isso, tramou roubar e se apossar das riquezas da Ordem. Desta forma, tramou a prisão de Jacques De Molay que no dia 12 de outubro foi um dos que carregou o caixão no funeral da cunhada do rei Filipe, Caratarina de Courtenay.
No dia seguinte (uma sexta feira 13 – daí vem a maldição deste dia), Jacques De Molay foi preso por Guilherme de Nogaret e Reinaldo Roy no complexo do Templo, além dos limites de Paris. Também 15 mil Cavaleiros, sargentos, capelães, serviçais e trabalhadores foram arrebanhados pelo rei em um só dia, poucos foram os que escaparam.
                 Tudo estava tramado para confiscar os bens dos Templários, assim como fizeram com os judeus e os lombardos alguns meses antes na França. Vale ressaltar que “os Templários não eram estrangeiros como os lombardos e nem infiéis como os judeus. Eram membros de uma de uma corporação orgulhosa e poderosa que se encontrava sob jurisdição eclesiástica, sujeita não ao rei, mas ao Papa”. Filipe alegara que os mandatos de prisão tinham implicado consulta prévia “ao nosso mais santo padre em Cristo, o Papa”.
                    Na verdade o Papa Clemente V não havia sido consultado e enviou ao rei uma indignada repreensão na qual entre outras coisas dizia “violastes, em nossa ausência, todas as regras e deitastes a mão a pessoas e propriedades dos Templários. Vós também os aprisionastes e, o que nos entristece ainda mais, não os tratastes com a devida clemência...” no entanto em tudo o que disse o Papa em momento nenhum declarou se acreditava ou não nas acusações feitas contra os Templários,  sua objeção foi principalmente à usurpação de sua prerrogativa e à traição de confiança”.
                 Para conseguir a confissão dos templários, das barbáries engendradas, os mesmos foram torturados abruptamente com métodos cruéis como o cavalete, que distendia os membros de um homem a ponto de deslocar sua articulações; a estrapada onde uma corda era amarrada nos braços virados para trás e ele levantado; esfregar gordura nas solas dos pés e aproximá-los do fogo, onde muitas vezes, seus ossos ficavam expostos, como aconteceu com Bernardo de Vado, sacerdote do Templo. Além disso eram postos a ferros, passando a pão e água, e proibidos de dormir. Tudo isso o Papa poderia impedir impondo sua autoridade, se fosse capaz de frustrar o ataque do rei, visto que em 1308, o documento de Chinon comprovara sob minuciosa investigação que os Templários eram INOCENTES.
                   Ao ser levado à presença dos Cardeais enviados pelo Papa para interrogá-lo o Grão Mestre Jacques De Molay rasgou sua camisa de cima a baixo para mostrar as marcas das torturas em seu corpo e os “Cardeais choraram amargamente e foram incapazes de falar”.
                     Quando Filipe soube que os Cardeais não condenaram os Templários, escreveu para o Papa ameaçando acusá-lo dos mesmos pecados, mas, o Papa respondeu, que “preferia morrer a condenar homens inocente” e em fevereiro de 1308 ordenou a Inquisição que suspendesse o processo contra os Templários, mas o rei os manteve presos.
                   Historiadores acham que “é possível que o Papa decidiu que os Templários deveriam ser sacrificados pelo bem da Igreja”, acovardando-se.
                  Fora da França a notícia era de que o Papa Clemente V “era um fantoche nas mãos do rei Filipe o belo”.
                 Jacques De Molay disse a Comissão que “acreditava em um só Deus e numa Trindade de Pessoas e em outras coisas pertencentes à fé católica (...) e quando a alma estivesse separada do corpo, então ela seria visível para quem fosse bom e para quem fosse mau, e cada um de nós saberia  a verdade dessas coisas que nós estivéssemos fazendo no momento’.
                  Segundo Pedro de Bolonha a tortura removia qualquer “liberdade de espírito, que é o que todo homem deve ter”.
                  O arcediago de Orleans e um dos carcereiros dos Templários, Filipe de Voet contou a comissão papal que muitos Templários haviam jurado antes de morrer “que as acusações contra a Ordem eram falsas”.
                 O rei Filipe teve a cobertura do Papa Clemente V para conseguir seu intento, pois, na época, o Papa se acovardou, omitindo-se por ocasião da injusta prisão Jacques de Molay e inúmeros Cavaleiros Templários, diante das graves acusações mentirosas.
                 Enquanto ardia na fogueira em 18 de março de 1314, vítima da covardia e da ganância, Jacques De Molay convocou ao rei e ao Papa a se apresentarem no Tribunal Divino dentro do prazo de um ano, para prestarem contas de seus feitos. Assim foi feito, o Papa Clemente V, morreu em 20 de abril de 1314 e o rei Filipe, morreu em 29 de novembro do mesmo ano, cumpriu-se as palavras do Grão Mestre da Ordem.
                    Os gananciosos conseguiram ficar com os bens imóveis da Ordem, quanto aos bens móveis, estes nunca foram encontrados, muito menos os seus segredos que foram passados de geração em geração, aos verdadeiros Templários. Segredos que em sua maioria encontram-se cifrados no Evangelho Espiritual de João, velados aos profanos e aos indignos de “conhecerem os mistérios de Deus”.
                    Não é a Ordem do Templo que necessita de perdão e sim o Vaticano e o Governo da França pela crueldade cometida. Ou será que queimar pessoas vivas e caluniá-las fazem parte de suas doutrinas religiosas e/ou políticas?
                  Uma coisa é certa, o verdadeiro tesouro só pode ser conquistado pela lapidação do Espírito, onde somente os puros de coração tem acesso a ele.

             Dentre documentos e relíquias produzidas com datas retroativas, que visassem consertar ou atenuar feitos passados, e que vêm - em momentos oportunos - "surgir em depósitos secretos", o documento de Chinon, veio à luz, quando começou a se tornar pública a execução dos últimos líderes da ordem, considerada por alguns como a maior injustiça da Inquisição Medieval, a prisão e tortura - por sete anos - de Jacques de Molay, que poderia ter-se expiado simplesmente confirmando as acusações - agora aparece como confessando, sendo assim absolvido, mas continuaria preso e terminaria queimado - o documento parece mesmo ter sido produzido após 1314, com a finalidade de atenuar a provável exposição da crueldade papal e também da obstinação deste homem em se manter fiel à verdade, mesmo que isto lhe custasse a vida.
                         O pergaminho de Chinon foi preparado por Robert de Condet, clérigo da diocese de Soissons. Os notários foram Umberto Vercellani, Nicolo Nicolai de Benvenuto, Robert de Condet e o mestre Master Amise d’Orléans le Ratif. As testemunhas foram o Irmão Raymond, abade do monastério beneditino de St. Theofred, Mestre Berard de Boiano, arquediácono de Troia, Raoul de Boset, confessor e cânone de Paris, e Pierre de Soire, superintendente deSaint-Gaugery em Cambresis.
                         Mesmo antes do Vaticano anunciar a sua existência, muitos livros de referência sobre os Templários já citavam o Pergaminho de Chinon. Em 2002, a Dra. Barbara Frale localizou uma cópia do pergaminho nos arquivos do Vaticano.
                       Em outubro de 2007, o Vaticano anunciou que liberaria uma cópia do Pergaminho de Chinon, após "700 anos". Nós Templários, esperamos por isso do Vaticano, merecemos isso e não descansaremos enquanto a JUSTIÇA não for feita e a Igreja se manifeste pedindo desculpas públicas pelo seu erro e omissão.
                     Cabe aos chefes dos Estados do Vaticano e da França tornarem público os seus pedidos de perdão à Ordem e cabe aos verdadeiros Templários, ao sentirem sinceridade em tais pedidos, externarem publicamente os seus aceites.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

JUAN GELMAN



                     Faleceu dia 14 de janeiro de 2014, na Cidade do México, o poeta, jornalista e tradutor Juan Gelman ,argentino,nascido em Buenos Aires3 de maio de 1930 .
                    Tem uma pequena coletânea de poemas publicada em Portugal em 1998 pela editora Quetzal, No avesso do mundo e
no Brasil há três edições de sua poesia: Amor que serena, termina? (antologia traduzida por Eric Nepomuceno), Isso (traduzido por Leonardo Gonçalves e Andityas Soares de Moura) e Com/posições (traduzido por Andityas Soares de Moura).
                    Reconhecido tanto pela qualidade dos seus versos quanto pela sua militância política, Gelman publicou mais de 20 livros e recebeu em 2007 o prêmio Cervantes, o principal em língua espanhola.
                   Foi também um ícone da resistência à ditadura na argentina. Perseguido pelos militares, se exilou primeiro na Itália, nos anos 1970.
                   Por ter desacreditado da eficácia da luta armada e dos rumos que tomaram os grupos de esquerda, foi condenado à morte pelo grupo guerrilheiro Montoneros.
                   Em artigo publicado em 2008 , Clóvis Rossi escreveu :
                 "Gelman teve a penosa honra de ter sido condenado à morte duas vezes, por entidades opostas, aliás" —referência aos militares e aos guerrilheiros. "Em ambos os casos, por olhar para os fatos e dizer que os fatos eram como eram".
                Juan Gelman, poeta da alma mexicana, poeta maior, está morto", escreveu, no Twitter, o presidente do Conselho Nacional para a Cultura e as Artes (Conaculta), Rafael Tovar.
                O jornal mexicano Milenio, onde Gelman tinha uma coluna semanal, revelou que o poeta morreu em casa, sem precisar a causa do falecimento.

                 Gelman era considerado um dos grandes poetas da língua espanhola e também um incansável lutador contra a impunidade das ditaduras do Cone Sul.

                 Por sua obra literária - que inclui os livros de poesia Violín y otras cuestiones e Gotán - Gelman recebeu numerosos prêmios, como o Cervantes e o Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana.

                     Filho de imigrantes judeus ucranianos, Gelman perdeu durante a última ditadura argentina (1976-1983) o filho Marcelo, assassinado, e a nora María Claudia García, que segue desaparecida.

                    Claudia García foi sequestrada em Buenos Aires em 1976 - grávida - e levada ao Uruguai. A criança nasceu no território uruguaio, onde foi entregue à família de um policial.Gelman lutou durante anos para encontrar a neta e obter justiça.
Segundo Marta Schwindt,payadora argentina:
                -- Durante la época de la dictadura argentina, Gelman sufrió el secuestro de su hija Nora Eva, y la desaparición de su hijo Marcelo Ariel y de su nuera María Claudia Iruretagoyena.
                  Luego de una intensa búsqueda por varios años, el 7 de enero de 1990 el Equipo Argentino de Antropología Forense identificó los restos de su hijo Marcelo, encontrados en un río de San Fernando dentro de un tambor de grasa lleno de cemento. Se determinó también que había sido asesinado de un tiro en la nuca.
                  Fue hasta 1998 Gelman descubrió que su hija fue llevada a Uruguay por medio del Plan Cóndor, que vinculaba a las dictaduras sudamericanas y Estados Unidos, y que había sido mantenida con vida al menos hasta dar a luz a una niña en el Hospital Militar de Montevideo.”

Oración

Habítame, penétrame.
Sea tu sangre una como mi sangre.
Tu boca entre a mi boca.
Tu corazón agrande el mío hasta estallar.
Desgárrame.
Caigas entera en mis entrañas.
Anden tus manos en mis manos.
Tus pies caminen en mis pies, tus pies.
Árdeme, árdeme.
Cólmeme tu dulzura.
Báñeme tu saliva el paladar.
Estés en mí como está la madera en el palito.
Que ya no puedo así, con esta sed
quemándome.

Con esta sed quemándome.
La soledad, sus cuervos, sus perros, sus pedazos.

Lo que cava

La sangre corcovea 
en todos los rincones, en 
el alma superior, en su orgullo,
en los perros con olor a furia.
El ser amado convierte
la humillación en asombro y vengo aquí
para decir que te amo. El domingo
del payaso prueba la desolación.
La emoción contra la pared
espera que la fusilen.
Nuestros cuerpos conocen esa pared.
Es una atadura del sol
que cava y cava.


Te nombraré veces y veces...

Te nombraré veces y veces.
me acostaré con vos noche y día.
Noches y días con vos.
Me ensuciaré cogiendo con tu sombra.
Te mostraré mi rabioso corazón.
Te pisaré loco de furia.
Te mataré los pedacitos.
Te mataré una con Paco.
Otro lo mato con Rodolfo.
Con Haroldo te mato un pedacito más.
Te mataré con mi hijo en la mano.
Y con el hijo de mi hijo  muertito.
Voy a venir con Diana y te mataré.
Voy a venir con José y te mataré.
Te voy a matar derrota.
Nunca me faltará un rostro amado 
para matarte otra vez.
Vivo o muerto  un rostro amado
hasta que mueras 
dolida como estás ya lo sé.
Te voy a matar  yo
te voy a matar.