quinta-feira, 27 de setembro de 2012

TUPAN-CY-RETAN-Face Missioneira


Recebo o maravilhoso livro Tupan-cy-retan - Face Missioneira
-de autoria do meu amigo Moisés Silveira de Menezes num período em que me encontro extremamente atarefado, o que não é raro acontecer comigo, todavia a imagem da capa me chama imediatamente para o interior do livro. Ao ler a dedicatória me sinto como quem esteve em cima da história sem a oportunidade de decifrá-la. Há muito de São Pedro do Sul, minha terra natal e onde Menezes reside, que gostaria de desvendar como agora ele faz
da sua Tupanciretã, mas a vida, a cada dia, me afasta mais para outros projetos culturais.

Nas primeiras páginas de Tupan-cy-retan há um poema que me encanta em sua plenitude pelo poder apurado do poeta que retrata fatos históricos com tanta poesia e ao mesmo tempo com tamanha realidade. Somente vates com vasto conhecimento histórico e grande sensibilidade poética podem produzir epopeias sem cair na vala comum do relato. O preciosismo de seus versos está há muito em seus escritos, porém é imensamente feliz em Os Ventos de Caiboaté. O livro já vale por este único poema, mas ele vai se agigantando a cada página. O prólogo é extremamente esclarecedores registra o que poucos escrevem ao citar o missioneiro, porque a maioria dos autores se restringe ao segundo ciclo como se ele fosse tudo. Mas Menezes não, por ser um investigador da cultura, não se contenta em iniciar seu livro no primeiro ciclo em território americano o que seria plenamente aceitável. Ele vai a matriz da questão na Península Ibérica e dá ao leitor amplo entendimento do porquê das disputas, das alianças e dos tratados mal sucedidos entre Portugal e Espanha ,o que vem desaguar historicamente no sul da América. Cuidadosamente detalha as questões hereditárias dos dois tronos e suas intenções não somente com relação ao território americano, mas principalmente com o europeu, o que vem repercutir nestas bandas...Por saber que não se pode falar em missioneiro sem destrinchar os preâmbulos da Companhia de Jesus abre uma janela imensa ao conhecimento do leitor sobre os interesses reais da igreja católica, da contra reforma e a intimidade filosófica de Inácio de Loyola, seus companheiros e seguidores... Mas como dissertar sobre as reduções e seus reduzidos sem entender sobre os silvícolas antes da chegada dos padres e dos europeus em geral? O que se espera de um grande pesquisador é que ele permita a compreensão de que os índios não são apenas índios como chamam os europeus em sua grande invasão na América. E, neste quesito Menezes aprofunda os estudos nas diversas nações ameríndias, seus usos e costumes... Ao buscar as origens, expõe as diversas teorias da chegada do ser humano no continente, partindo do princípio do surgimento da humanidade.
Também não esquece de que a chegada do gado vacum e cavalar à América dá nova conotação ao habitante do continente forjando o índio de a cavalo que vem transforma-se no gaúcho em território rio-grandense. O autor discorre com estudo exaustivo pelos dois ciclos missioneiros, suas localizações originais, virtudes e deficiências, os bandeirantes, as guerras e o massacre final. Faz uma exposição científica de dados sobre todo o processo que origina, mantém e dizima o sonho missioneiro para poder contar com legitimidade a história de sua terra natal, Tupanciretã Terra da Mãe de Deus.

* Jornalista,
pajador e apresentador
pajador_mendonca@hotmail.com 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

SESMARIA DA POESIA GAÚCHA DE OSÓRIO -17ª QUADRA



                 O júri da Sesmaria da Poesia Gaúcha, poetas Joaquim Moncks, Jadir Oliveira e Léo Ribeiro de Souza depois de analisar 354 poemas inscritos escolheu os poemas que comporão o CD dessa edição e que subirão ao palco dia 29 de setembro de 2012 para disputar a premiação:

1º Lugar Poesia: - Troféu Sesmaria + R$ 800,00 
2º Lugar Poesia: - Troféu Sesmaria + R$ 600,00 
3º Lugar Poesia: - Troféu Sesmaria + R$ 500,00 
1º Lugar Intérprete: Troféu Sesmaria + R$ 800,00
2º Lugar Intérprete: Troféu Sesmaria + R$ 600,00
3º Lugar Intérprete: Troféu Sesmaria + R$ 500,00
1º Melhor Amadrinhador: Troféu Sesmaria + R$ 500,00 
2º Melhor Amadrinhador: Troféu Sesmaria + R$ 300,00
3º Melhor Amadrinhador: Troféu Sesmaria + R$ 200,00
Melhor Tema “DECLAMADORES”Troféu Sesmaria + R$ 600,00

             A Sesmaria da Poesia Gaúcha é um concurso de poesia e declamação, cuja temática deve estar identificada com o contexto sócio cultural do Rio Grande do Sul, abordando as várias nuanças poéticas que caracterizam a produção literária de nosso estado, tais como: gauchesca; nativista; regionalista; tradicionalista; localista; telúrica; social; pageana; payadoresca; Abaixo o poema classificado no tema específico (declamadores,)os dez poemas finalistas dessa edição e os três suplentes:

    Tema-"DECLAMADORES" 
Pra quem Enfrena um Verso-Cristiano Ferreira Pereira e Cláudio Silveira

Apenas um Poeta Louco - Jurema Chaves 
De Heróis e Chacais - Ari Pinheiro
Cantigas para Juvêncio Gonzales - Luis César Soares 
Disparo de Tropa - Cândido Brasil 
Eu Espinho - Henrique Fernandes 
O Lenço Branco - Rodrigo Bauer
Em Memória de um Bravo - Luis Lopes De Souza 
As Asas da Poesia - Carlos Omar V. Gomes E Bianca Bergmam 
Romanceiro da Morte - Luis Lopes De Souza 
Panta do Mato - Panta do Rio - Moisés Silveira De Menezes 
Melhor Tema pra quem Enfrena um Verso - Cristiano Franco Ferreira

SUPLENTES
Ofício de Parteira - Joseti Gomes 
Quando Morre Um Cemitério - Silvio Genro 
Alforria - Alan Otto Redu 


segunda-feira, 3 de setembro de 2012


                       VI Encontro dos Escritores do Mercosul

                       Nos dias 6,7,8 e 9 de Setembro acontecerá em Posadas (Argentina) e Encarnación (Paraguai) o VI Encontro dos Escritores do Mercosul e o Primeiro Encontro de Produtores Culturais do Mercosul, reunindo escritores e produtores culturais do países do Cone Sul da América onde serão debatidos temas pertinentes a produção literária e ao associativismo cultural com a seguinte programação:
Dias 06 Setembro- Abertura-Apresentação dos organizadores-passeio cultural
Dia 07Setembro –Apresentação de painéis pelos escritores convidados.
Nesse dia as 1000h na Biblioteca de Posadas será apresentado um painel sobre a Poesia Regional do Rio Grande do Sul pelo poeta Moisés Menezes e a professora Marlei Stein.
O evento também prevê a participação na Feira do Livro de Encarnación no Paraguai e na noite do dia 07 também está prevista uma Peña Literária (Tertúlia,Sarau) visando a integração sócio cultural entre os participantes.

Los Tres Días de Encuentro

              La apertura será el 6 de Setiembre en Encarnación, a las 20 hs de Argentina, en el marco de la 8º Libroferia de Encarnación, Paraguay, con charlas, presentaciones de libros, puestas teatrales y un “broche de oro”, a cargo del arpista paraguayo Marcelo Rojas.
El viernes 7 de Setiembre las actividades se centrarán en la Biblioteca Pública de las Misiones, con ponencias y exposiciones de los grupos literarios de la provincia de Misiones. También habrá presentaciones de libros y conferencias de escritores de los tres países.
La noche del viernes los participantes podrán optar entre la Peña Literaria que se llevará a cabo en la Villa Cultural, que estará a cargo de la Dirección General de Cultura de la Municipalidad de Posadas, y el 5º Festival Internacional de Cuentacuentos Tutú Maramba, que se realizará en el Teatro Lírico del Centro del Conocimiento.
El sábado 8 el Encuentro continúa en el Paseo Cultural 220, Av. Roca y Andrade, donde habrá charlas, ponencias y presentación de stands de productores culturales, que estarán comprendidos por los siguientes rubros: Radiales y de Festivales, Gráficos, Audiovisuales y Editores, y Productores Televisivos. La inscripción gratuita para los productores culturales que quieran difundir sus trabajos sigue abierta en el Paseo Cultural 220, Av. Roca y Andrade.
A las 19 hs, se hará entrega del Premio del Concurso Provincial Bicentenario de Literatura y Premio de Honor SADEM, organizado por la Coordinación del Bicentenario y la Sociedad Argentina de Escritores Filial Misiones. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

QUARTA-FEIRA, 1 DE AGOSTO DE 2012 PARA OS INTELECTOS DO TRADICIONALISMO VELHO NÃO TEM VEZ


QUARTA-FEIRA, 1 DE AGOSTO DE 2012

PARA OS INTELECTOS DO TRADICIONALISMO

VELHO NÃO TEM VEZ
Eu já tinha prometido a mim mesmo, diante do espelho da cacimba de meu rancho, largar o M.T.G. de mão apesar da grande admiração que tenho pelo trabalho de homens como Ciro Dutra Ferreira, Honésimo Carneiro Duarte, Jarbas Lima, Rodi Borghetti, Barbosa Lessa, Hugo Ramirez e tantos outros que labutaram por esta entidade que estruturou o tradicionalismo de uma forma organizada, embora esta vontade de criar uma identidade própria para o gaúcho rio-grandense tenha se desvirtuado, nos tempos atuais.  

Mas lhes conto: é brabo olhar as barbaridades que acontecem nesta confraria representativa de uma boa parcela de gaúchos.

O que é a tradição? Na minha humilde convicção, tradição é o repasse que vem dos pais para os filhos, dos avós para os netos, do irmão mais velho para o mano mais novo, ou seja, uma transmissão de conhecimentos, de bons costumes, a partir do próprio lar. 

Em qualquer sociedade que perpetua sua tradição os mais velhos são a fonte, a vertente, o manancial.

Por isto, em qualquer cultura civilizada os anciões são tidos como sábios, angariando respeito e admiração dos mais novos. 

Em toda a sociedade, não! No ventre do M.T.G. não há comunhão deste pensamento de valorização aos ancestrais.

Bombeando o Blog do Rogério Bastos (muito bom, por sinal) me deparei com uma aberração que me fez estarrecer.

Numa postagem sobre as propostas aprovadas e rejeitadas na última convenção de Guaporé, existe uma em que o Patrão do Grupo Candeeiro FAN, de São Leopoldo, solicita o reconhecimento dos convencionais, para a categoria veteranos (Chinoca e Xiru) incluindo-as em todas as atividades do Movimento, ou seja, quer autorização para que pessoas de mais idade tenham condições de participação.

Resultado da votação: Rejeitada a proposta.

Em seguida, vem mais duas propostas (já debatidas aqui no blog) que são: a) alterar o uso correto do português e b) retirada do item Beleza. 

Resultado da votação: Aprovadas as Propostas (a segunda por unanimidade).   

Meu Deus do Céu: ME INTERNEM

Para levar seus filhos, ensinar-lhes sobre tradição, mostrar rumos, teimar em seguir nesta senha de gauchismo, de CTGs falidos, de guerras de vaidades, de regramentos e normatizações, os pais são bons. Agora, para integrar-se ao Movimento eles estão passados? Como diria o Bóris Casoy: - ISTO É UMA VERGONHA!  

Vejam as três Proposições na íntegra:       

PROPOSIÇÃO Nº 07 – CATEGORIA VETERANA ESTADUAL

AUTOR: Cireneu Pierezan, Patrão do Grupo Candeeiro FAN, de São Leopoldo.

RESUMO: Reconhecer, a nível estadual, a categoria veterana, nas modalidades prenda e peão (Chinoca e Xiru), e incluí-la em todas as atividades, dando-lhe condição de participação, como por exemplo na Ciranda Cultural de Prendas e Entrevero Cultural de Peões.

JUSTIFICATIVA DO AUTOR: Os veteranos reconhecidamente são as pessoas pelas quais nos embasamos e nos espelhamos para atuar no movimento tradicionalista gaúcho. São eles detentores de experiência suficiente para nos auxiliar no engrandecimento de nossa cultura. Além disto, esta categoria, em várias regiões, já vem ao longo dos anos fazendo parte dos concursos regionais, trazendo retorno significativo para o trabalho cultural regional. Na CBTG esta categoria já é reconhecida e, portanto, nada mais justo do que expandir para o MTG-RS.

VOTAÇÃO: Rejeitada a proposta.


PROPOSIÇÃO Nº 08A – ART. 30 DA CIRANDA DE PRENDAS – ALTERAÇÃO NOS ITENS

AUTOR: José Roberto Fischborn, Coordenador da 22ª Região.

RESUMO: Na letra b) Avaliação da Comunicação oral, o autor propõe para as três categorias (Mirim, Juvenil e Adulta) alterar o item Uso correto do português (ausência de gírias e tiques), sugerindo DESENVOLTURA NA FALA (ausência de gírias e tiques).

JUSTIFICATIVA DO AUTOR: Entendemos que para avaliarmos o uso correto do português necessitaremos de pessoas capacitadas, bem como, dependendo da escolaridade da menina, ela ainda estará em idade de formação de estrutura de fala.

VOTAÇÃO: Aprovada a proposta.


PROPOSIÇÃO Nº 08B – ART. 30 DA CIRANDA DE PRENDAS – ALTERAÇÃO NOS ITENS

AUTOR: José Roberto Fischborn, Coordenador da 22ª Região.

RESUMO: Na letra d) Caracteres Pessoais, o autor propõe para as três categorias (Mirim, Juvenil e Adulta) a retirada do item Beleza e incluindo com a mesma pontuação, comunicação com os avaliadores. Em conseqüência, alterando a letra “a” do “§” 1º do artigo 27 do Regulamento.

JUSTIFICATIVA DO AUTOR: Entendemos que não existe um padrão para avaliação. Como avaliarmos qual prenda é mais bela? Como avaliarmos se a prenda A é mais bela que a prenda B ou vice-versa? Entendemos ainda que beleza é um item muito pessoal e pode ser interpretado como discriminação.

VOTAÇÃO: O autor retirou a sugestão de inclusão com a mesma nota, do item comunicação com os avaliadores. Aprovado por unanimidade o parecer da Relatora, aprovada a proposta.
(copiado na íntegra do blog do poeta Léo Ribeiro de Souza)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

IV NOITE NATIVISTA

                           
  Tipo sócio/cultural da América Sulina, o gaúcho, miscigenado das tantas raças que aportaram na pampa larga, evoluiu tanto e demonstrou tamanha capacidade de adaptação as mais variadas situações, aos mais variados contextos sócio-políticos que acabou por entranhar-se profundamente na história do Rio Grande, na qual sempre coube o papel de protagonista.
     Esteve presente em todos os levantes em armas, desde o século VIII a 1930 que marca o fim do periódico bélico na nossa história. Cortou campos, cruzou estradas, abriu trilhas, combateu, perdeu filhos preciosos e chefes inesquecíveis e tão logo a paz acenava sua bandeira nas planícies, cerros e canhadas estavam de volta ao rancho, às lides campeiras e ao calor do ninho espartano onde se gerava e se criavam novos filhos para os árduos misteres da lida guapa, austera que legou uma sociedade única, um conjunto de princípios éticos e morais, duas línguas, um sem fim de linguagens e uma só identidade.
   A IV Noite Nativista de São Pedro do Sul trouxe alguns dos mais típicos e qualificados representantes desse gaúcho meio campeiro, meio militar, não melhores do que ninguém, mas diferentes, tradutores em verso e música da mais perfeita simbiose e harmonia de um homem/centauro com o meio social, histórico e político do qual brotou e  se projetou no tempo.
        Ouvia-se Luís Marenco, Leonel Gomez, Jairo Lambari, Mauro Moraes, vozes fortes, afinadas, coração na garganta e algo indescritível na expressão. Ouviam-se as guitarras de Juliano Gomes, Mauro Flores Polenz, Tiago Antunes e a Botonera de Fabiano Torres, mas, sobretudo ou subjacente tinha muito mais: Havia no palco tropel de cascos das velhas cavalarias e bater de tambores de Charruas e Minuanos, plangência dos hinários Guaranis, canções de ninar de avós e bisavós e milongas prenhes de luz e sentimento que fizeram ao longo do tempo as mais belas mulheres do continente amarem homens que honraram a cor dos lenços e cepa de donde vieram.
     Quem ouviu os versos de Mauro Moraes, Gujo Teixeira, Sérgio Carvalho Pereira, Evair Suarez Gomez, revestidos com límpidos bordoneios das guitarras andaluzas, ornados pelos acordes da botoneira indômita, reviveu Pedro Canga, o pioneiro cantor do Erval, também podia sentir algo de Jocunha Vargas o menestrel terrunho, de Jaime o incomparável payador sulino, enfim ouviu-se o que se podia ver e escutar e muito mais, ouvia-se aquilo que só podia ser sentido e visto por muito poucos, mas estava lá!!!!! Quem esteve presente,  saiu mais gaúcho e ficou sabendo porque o Rio Grande é  Rio Grande, nem melhor nem pior que ninguém, mas muito singular; saiu de lá com mais orgulho e amor ao rincão, ao modus vivendi, que realmente faz a diferença e se faz universal de tão grandiosamente regional!!!!
Foto-Rafael Menezes

terça-feira, 26 de junho de 2012

                             O Cacique Batu
    O vocábulo Batu quer dizer chefe de quadrilha ou bando. Com essa grafia encontramos no Rio Grande do Sul apenas o cacique minuano Batu e o lugarejo do Batu em Tupanciretã.
     Existe ainda a forma Batú referente a um jogo de pelota praticado pelos índios Tainos, indígenas pré-colombianos que habitavan as Bahamas, Grandes Antilhas, e Pequenas Antilhas do Norte, no Caribe. Acredita-se que eram ligados aos Aruaques da América do Sul. Falavam um idioma da família linguística Maipureana, que abrange o norte da América do Sul e todo o Caribe.
     A localidade Batu,no município de Tupanciretã, possui a mesma grafia do nome do Cacique Minuano Batu, donde deduzimos que um deriva do outro. Pela antiguidade do nome do lugar, homenageado em 1930 com uma estação férrea (o nome é anterior ao trem) e pela época em que o cacique Batu viveu e tendo-se comprovado suas andanças pela região é possível afirmar que o nome do lugar deriva do cacique Batu que ali viveu por algum tempo, em época não bem  determinada.
     Gomes e Pereira citam o Cacique Batu entre os primeiros moradores de Cruz Alta,ressaltando-se que a época o lugar Batu,situado no Posto Jesuíta de São Solano,pertencia a Cruz Alta,hoje no entanto está compreendido no municipio de Tupanciretã:
“...Antônio de Souza Fagundes, José Bernardo Fagundes, Zeferino dos Santos, no Cadeado, hoje Capela. José Caetano de Carvalho e Souza na Guarda da Conceição. Firmino da Silva Moreira, próximo ao povoado. Manoel Gonçalves Terra, no atual Rincão de Nossa Senhora. Antônio Moreira da Silva, para o lado do lvaí. Joaquim Júlio da Costa Prado, entre os Arroios Corticeira e Palmeira. Domingos AIves dos Santos, na histórica estância da Conceição. Cacique Batú, na sesmaria São Francisco Solano, dividindo ao Norte com a Conceição. João Nunes da Silva, na Estância Tupanciretã, dos Jesuítas, com o Posto de São Tomé. Manoel Antônio Severo, na Guarda de São Pedro. Jacinto Pereira Henriques, sobre o Arroio Caneleira. Matheus e Agostinho Soares da Silva, na sesmaria Céu Azul, à direita do lvaí. Antônio Rodrigues Padilha, próximo à Guarda de São Pedro. João Vieira de Alvarenga, onde localizou-se o Povo Novo, de cuja área foi êle o doador. Ana Cândida Vieira, à margem direita do lvaí, em 1817....”

Saldanha descreve o Cacique Batu ao encontrá-lo, em 1790, às margens do rio Cacequi:
“... O Batu é alto, velho carancudo, e  feio.”
Trancreve ainda Saldanha uma fala de aspecto religioso do Cacique Batu:
“...Quem poderá haver tão falto de razão, que do ente supremo negue a existência, se o mesmo Batu da gema dos minuanos, falto de discursos, e combinações responde apontando para o céu... só quem ali existe. Senhor é das vidas, e humanas mortes...”

  Esse trecho comprova a convivência do cacique na região das missões onde teve contatos com o catolicismo e vem ao encontro de outras citações inclusas em outros momentos desse trabalho referente às visitas frequentes dos índios pâmpidas, integrantes das mais variadas tribos, em busca de negócios, em tentativas de aderir à catequese e ao reducionismo, além de algumas já faladas incursões de roubo de gado, conforme Wilde:

“...Más tarde relata un informe que un grupo de nicolasistas fugados de su pueblo se dedicaban al saqueo de las estancias de la zona comandados por un líder llamado Chumacera y que proclamaban como jefe al Cacique Batu de los minuanes a cuya toldería habían enviado sus mujeres y bienes .”

     Aqui temos um fragmento que indica ser próximo das missões a Toldaria de Batu, caso contrário não seria uma operação rápida e fácil, para lá, serem levadas mulheres, crianças e bens. Deduzimos também que era Batu muito conhecido na região, pois fora aclamado líder inclusive de índios guaranis, para essa missão de saque. Wilde não situa exatamente o ano desse fato, mas sua obra analisa o período entre 1609-1768. Pode-se deduzir que ele tenha aparecido junto com o Cacique Moreyra que andava por ali ao tempo do Padre Sepp, pois foi uma época de muitos relatos envolvendo a presença de Minuanos, Guenoas, Yaros e outros ditos infiéis nas reduções de São Miguel, São Nicolau e São João.
     Em razão do Cacique Moreyra liderar 200 minuanos como retaguarda do exercito português na segunda campanha guaranítica e sabendo-se que um cacique tinha consigo por volta de 50 guerreiros,é provável a presença de outros caciques nesse grupo e entre esses o velho Batu que já era conhecidos nas missões e por ali havia liderado guaranis renegados conforme Wilde,já citado anteriormente.Certo que participaram na guerra e que voltaram junto com Gomes Freire ebem provável que abandoram as missões quando o general voltou para Rio Pardo e exemplo também de muitos guaranis,pois não gostavam dos espanhóis.
      Ferreira Filho ao comentar sobre os índios do Rio Grande do Sul assim se expressa:

   “No inicio do povoamento lusitano constatou-se a presença de índios minuanos em Mostardas, na costa do mar, e mais tarde no Planalto Médio, onde deixou fama o Cacique Batu.”
     Temos aqui uma consistente e definitiva prova de que Batu viveu em Tupanciretã onde fez fama ao ponto de ter unido para sempre seu nome a uma das mais tradicionais localidades do município.
   O fato do Cacique Batu haver sido um dos antigos moradores de Tupanciretã é muito significativo, pois deixou seu nome ligado a uma localidade que já sendo importante como posto de estância missioneira, passa a ter ainda mais relevo por ter sido lugar da Toldaria do  célebre cacique  e finalmente confere um traço minuano, um traço pâmpida à face missioneira da Terra da Mãe de Deus.